Comprou Bitcoin via P2P no WhatsApp? Fez swap na Uniswap? Depositou em pool de liquidez na Aave? Se o total mensal passar de R$ 35.000, você precisa enviar a DeCripto.
Neste artigo, explicamos como a DeCripto se aplica especificamente a operações P2P e DeFi — as que mais geram dúvidas entre investidores.
🤝 Operações P2P: Quando Entram na DeCripto
Operações P2P (peer-to-peer) são compras e vendas feitas diretamente entre pessoas, sem intermediário centralizado. Exemplos:
- Comprar BTC de outra pessoa via PIX ou transferência bancária
- Vender ETH diretamente para um amigo
- Usar o marketplace P2P da Binance (que conecta compradores e vendedores)
- Trocar cripto em grupos de Telegram ou WhatsApp
⚠️ Atenção: O P2P da Binance é um caso especial. Mesmo usando a plataforma da Binance, a operação é classificada como P2P porque a Binance atua apenas como facilitadora, não como contraparte.
Quando o P2P exige DeCripto?
Quando o volume total de operações P2P no mês superar R$ 35.000. Isso inclui todas as compras, vendas e trocas somadas.
📝 Exemplo:
Lucas comprou R$ 20.000 em BTC via P2P no Telegram e mais R$ 18.000 em USDT via P2P na Binance. Total P2P no mês: R$ 38.000. Como ultrapassou R$ 35.000, Lucas precisa enviar a DeCripto.
🔗 Operações DeFi: O Que Entra na DeCripto
A DeFi (Finanças Descentralizadas) é um dos setores que mais cresce no cripto — e agora está explicitamente incluída na DeCripto. Veja o que deve ser declarado:
| Tipo de Operação DeFi | Entra na DeCripto? | Exemplo |
|---|---|---|
| Swap em DEX | Sim | Trocar ETH por USDC na Uniswap |
| Liquidity Pool | Sim | Fornecer liquidez no PancakeSwap |
| Empréstimo DeFi | Sim | Depositar colateral na Aave |
| Staking | Sim | Staking de ETH no Lido |
| Yield Farming | Sim | Farming de tokens em protocolo DeFi |
| Bridge entre chains | Sim | Transferir tokens via bridge Ethereum→Polygon |
| Mint de NFT | Sim | Comprar NFT diretamente de um smart contract |
🔍 Como a Receita Rastreia P2P e DeFi?
Muitos acham que P2P e DeFi são "invisíveis". Não são. A Receita usa três mecanismos:
- On-ramp / Off-ramp: Quando você converte cripto em reais (ou vice-versa) via exchange ou banco, o rastro aparece
- Análise on-chain: A Receita contrata ferramentas como Chainalysis para rastrear transações em blockchains públicas (Bitcoin, Ethereum, etc.)
- Cruzamento CARF: Exchanges estrangeiras que intermediam P2P reportam dados via CARF
🚨 Risco real: Blockchains públicas são 100% transparentes. Toda transação fica registrada para sempre. A Receita pode não te encontrar hoje, mas o rastreamento retroativo é possível — e as multas acumulam.
📋 Como Declarar P2P e DeFi na DeCripto
- Registre cada operação: data, tipo (compra/venda/swap), valor em BRL, endereço da carteira
- Some o total mensal: se ultrapassar R$ 35.000, é obrigatório
- Organize no formato da Receita: use o Gerador de DeCripto da Cripto Azul
- Envie no e-CAC até o último dia útil do mês seguinte
💡 Dica importante: Para operações DeFi, mantenha screenshots das transações (hash de tx, endereço do contrato) como comprovante. A Receita pode solicitar documentação.
❓ Perguntas Frequentes
Comprei cripto via P2P por menos de R$ 35.000 no mês. Preciso declarar?
Não naquele mês. Mas some P2P + DeFi + exchange estrangeira. Se o total de operações fora de exchanges brasileiras ultrapassar R$ 35.000, é obrigatório.
Operações em MetaMask entram na DeCripto?
A MetaMask é uma carteira, não uma exchange. As operações feitas através da MetaMask (swaps, conexões com DEXs) é que entram na DeCripto. A carteira em si não reporta.
E se eu não tiver extrato das operações DeFi?
Use exploradores de blockchain como Etherscan ou BSCScan para consultar o histórico da sua carteira. Exporte as transações e organize no formato da Receita.
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Equipe Cripto Azul